Uma guerra no Oriente Médio pode parecer distante da realidade brasileira. Mas o conflito envolvendo o Irã, os Estados Unidos e Israel tem consequências que ultrapassam as fronteiras desses países. O motivo está, principalmente, em uma passagem marítima chamada Estreito de Ormuz.

Por esse corredor circula uma parte importante do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. Quando o transporte é interrompido, os efeitos podem chegar aos postos de combustíveis, às fazendas e até aos supermercados brasileiros.
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima localizada entre o Irã e Omã. Ele conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, permitindo que navios transportem petróleo e outras mercadorias para diferentes países.

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo e derivados passavam diariamente pelo estreito em 2025, o equivalente a cerca de 25% do comércio mundial de petróleo transportado por navios.
IEA


Com a guerra iniciada no final de fevereiro de 2026, o transporte pela região sofreu fortes restrições. Isso prejudicou o abastecimento internacional e pressionou os preços de produtos essenciais.

Como isso afeta a gasolina e o diesel no Brasil?

Mesmo produzindo petróleo, o Brasil participa de um mercado internacional. Por isso, alterações nos preços globais podem influenciar os custos dos combustíveis comercializados no país.

Quando o petróleo fica mais caro, a gasolina e o diesel podem sofrer pressão de alta. O resultado depende também do dólar, dos impostos e das decisões comerciais das distribuidoras e refinarias.

O diesel merece atenção especial: ele abastece grande parte dos caminhões responsáveis pelo transporte de alimentos e mercadorias. Seu encarecimento pode aumentar os custos de distribuição.

E por que os alimentos também podem ficar mais caros?

A relação passa pelos fertilizantes, produtos utilizados para fornecer nutrientes ao solo e melhorar a produtividade agrícola.

O Brasil depende fortemente das importações desses insumos. Segundo o Ministério da Agricultura, 93% do consumo nacional de fertilizantes é atendido por produtos importados.

Em 2026, problemas nas rotas internacionais afetaram esse comércio. Entre janeiro e maio, o preço médio de importação de determinados fertilizantes subiu 14,4%, segundo o ministério.
Ministério da Agricultura e Pecuária

Com custos maiores para produzir soja, milho e outros alimentos, parte dessa pressão pode chegar ao consumidor.

O Brasil também pode ganhar com a crise?

Sim, em determinados setores. Como exportador de petróleo, o Brasil pode receber mais por suas vendas quando os preços internacionais aumentam.
Entretanto, o Banco Central alerta que a elevação dos custos dos fertilizantes pode reduzir parte desses benefícios e afetar a produção agrícola.
junho de 2026
Isso significa que uma mesma crise pode favorecer alguns setores econômicos e prejudicar outros.

O que isso significa para o brasileiro?

Os efeitos da guerra não são automáticos nem iguais para todos. Dependem da duração do conflito, do funcionamento das rotas comerciais, do câmbio e das condições da economia brasileira.

O ponto central é que um conflito distante pode influenciar diretamente o custo de vida no Brasil, mesmo sem o país participar militarmente da guerra.